(Na mulher)... "É preciso que haja qualquer coisa de flor em tudo isso.
Qualquer coisa de dança... Que tudo isso seja belo...
Alguma coisa além da carne: que se os toque como no âmbar de uma tarde.
... Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que se fechar os olhos, ao abri-los la não estará mais presente com seu sorriso e suas tramas. Que ela surja, não venha; parta, não vá.
E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer beber o fel da dúvida.
Que ela não perca nunca, não importa em que mundo, não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade de pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma, tranforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre o impossível perfume; e destile sempre o embriagante mel;
e cante sempre o inaudível canto da sua combustão;
E não deixe de ser nunca a eterna dançarina do efêmero;
E em sua incalculável imperfeição
Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável."
(Vinicius de Moraes)
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